Segunda-feira, Maio 05, 2008

País dos escândalos

Recebi este e-mail hoje e achei interessante divulgá-lo.

Escândalos brasileiros desde 1974

Governo Geisel ( General Ernesto Geisel) ( 1974- 1979)
1.Caso Wladimir Herzog
2.Caso Manuel File Filho
3.Caso Lutfala
4.Caso Atalla
5.Ângelo Calmon de Sá (ministro acusado de passar um gigantesco cheque Sem fundos)
6.Lei Falcão (1976)
7.Pacote de Abril (1977)
8.Cassações dos Parlamentares no Governo Geisel
9.Grandes Mordomias dos Ministros no Governo Geisel

Governo Figueiredo ( General João Baptista Figueiredo) (1979- 1985)
1.Caso Capemi
2.Caso do Grupo Delfim
3.Escândalo DA Mandioca
4.Escândalo DA Brasilinvest
5.Escândalo das Polonetas
6.Escândalo do Instituto Nacional de Assistência Médica do INAMPS
7.Caso Morel
8.Crime DA Mala
9.Caso Coroa-Brastel
10.Escândalo das Jóias

Governo Sarney (José Sarney) (1985-1990)
(Primeiro Governo Civil Pós Regime Militar - Censura)
1.CPI DA Corrupção
2.Escândalo do Ministério das Comunicações (Grande número de concessões de rádios e TVs para políticos aliados ou não Ao Sarney. A concessão é em troca de cargos, votos ou apoio Ao presidente)
3.Caso Chiarelli (Dossiê do Antônio Carlos Magalhães contra o senador Carlos Chiarelli ou 'Dossiê Chiarelli')
4.Caso Imbraim Abi-Ackel
5.Escândalo DA Administração de Orestes Quécia
6.Escândalo do Contrabando das Pedras Preciosas

Governo Collor (Fernando Collor de Mello) (1990-1992)
1.Escândalo DA Aprovação DA Lei DA Privatização das Estatais
2.Programa Nacional de Desestatização
3.Escândalo do INSS (ou Escândalo DA Previdência Social)
4.Escândalo do BCCI (ou caso Sérgio Corrêa DA Costa)
5.Escândalo DA Ceme (Central de Medicamentos)
6.Escândalo DA LBA
7.Esquema PP
8.Esquema PC (Caso Collor)
9.Escândalo DA Eletronorte
10.Escândalo do FGTS
11.Escândalo DA Ação Social
12.Escândalo do BC
13.Escândalo DA Merenda
14.Escândalo das Estatais
15.Escândalo das Comunicações
16.Escândalo DA Vasp
17.Escândalo DA Aeronáutica
18.Escândalo do Fundo de Participação
19.Escândalo do BB

Governo Itamar Franco (Itamar Augusto Cautiero Franco) (1992- 1995)
1.Centro Federal de Inteligência
(Criação da CFI para combater corrupção em todas as esferas do governo)
2.Caso Edmundo Pinto
3.Escândalo do DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca)
(ou caso Inocêncio Oliveira )
4.Escândalo DA IBF ( Indústria Brasileira de Formulários)
5.Escândalo do INAMPS ( Instituto Nacional de Assistência Previdência Social)
6.Irregularidades no Programa Nacional de Desestatização
7.Caso Nilo Coelho
8.Caso Eliseu Resende
9.Caso Queiroz Galvão (em Pernambuco)
10.Escândalo DA Telemig (Minas Gerais)
11.Jogo do Bicho (ou Caso Castor de Andrade) (no Rio de Janeiro)
12.Caso Ney Maranhão
13.Escândalo do Paubrasil (Paubrasil Engenharia e Montagens)
14.Escândalo DA Administração de Roberto Requião
15.Escândalo DA Cruz Vermelha Brasileira
16.Caso José Carlos DA Rocha Lima
17.Escândalo DA Colac (no Rio Grande do Sul)
18.Escândalo DA Fundação Padre Francisco de Assis Castro Monteiro (em Ibicuitinga, Ceará)
19.Escândalo DA Administração de Antônio Carlos Magalhães (Bahia)
20.Escândalo DA Administração de Jaime Campos (Mato Grosso)
21.Escândalo DA Administração de Roberto Requião (Paraná)
22.Escândalo DA Administração de Ottomar Pinto (em Roraima)
23.Escândalo DA Sudene de Pernambuco
24.Escândalo DA Prefeitura de Natal (no Rio Grande do Norte)
25.CPI do Detran (em Santa Catarina)
26.Caso Restaurante Gulliver (tentativa do governador Ronaldo Cunha Lima matar o governador antecessor Tarcísio Burity, por causa das denúncias de Irregularidades na Sudene de Paraíba)
27.CPI do Pó (em Paraíba)
28.Escândalo DA Estacom (em Tocantins)
29.Escândalo do Orçamento DA União (ou Escândalo dos Anões do Orçamento ou CPI do Orçamento)
30.Compra e Venda dos Mandatos dos Deputados do PSD
31.Caso Ricupero (também conhecido como 'Escândalo das Parabólicas').

Governo FHC ( Fernando Henrique Cardoso) ( 1995- 2003)
1.Escândalo do Sivam (Primeira grave crise do governo FHC)
2.Escândalo DA Pasta Rosa
3.Escândalo DA CONAN
4.Escândalo DA Administração de Paulo Maluf
5.Escândalo do BNDES (verbas para socorrerem ex-estatais privatizadas)
6.Escândalo DA Telebrás
7.Caso PC Farias
8.Escândalo DA Compra de Votos Para Emenda DA Reeleição
9.Escândalo DA Venda DA Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
10.Escândalo DA Previdência
11.Escândalo DA Administração do PT (primeira denúncia contra o Partido dos Trabalhadores desde a fundação em 1980, feito pelo militante do partido Paulo de Tarso Venceslau)
12.Escândalo dos Precatórios
13.Escândalo do Banestado
14.Escândalo DA Encol
15.Escândalo DA Mesbla
16.Escândalo do Banespa
17.Escândalo DA Desvalorização do Real
18.Escândalo dos Fiscais de São Paulo (ou Máfia dos Fiscais)
19.Escândalo DA Mappin
20.Dossiê Cayman (ou Escândalo do Dossiê Cayman ou Escândalo do Dossiê Caribe)
21.Escândalo dos Grampos Contra FHC e Aliados
22.Escândalo do Judiciário
23.Escândalo dos Bancos
24.CPI do Narcotráfico
25.CPI do Crime Organizado
26.Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo FHC
27.Escândalo DA Banda Podre
28.Escândalo dos Medicamentos (Grande número de denúncias de remédios falsificados ou que não curaram pacientes)
29.Quebra do Monopólio do Petróleo (criação DA ANP)
30.Escândalo da Transbrasil
31.Escândalo da Pane DDD do Sistema Telefônico Privatizado (o 'Caladão')
32.Escândalo dos Desvios de Verbas do TRT-SP (Caso Nicolau dos Santos Neto , o 'Lalau')
33.Escândalo da Administração da Roseana Sarney (Maranhão)
34.Corrupção na Prefeitura de São Paulo (ou Caso Celso Pitta)
35.Escândalo da Sudam
36.Escândalo da Sudene
37.Escândalo do Banpará
38.Escândalo da Quebra do Sigilo do Painel do Senado
39.Escândalos no Senado em 2001
40.Escândalo da Administração de Mão Santa (Piauí)
41.Caso Lunus (ou Caso Roseana Sarney)
42.Acidentes Ambientais da Petrobrás
43.Abuso de Medidas Provisórias (5.491)
44.Escândalo do Abafamento das CPIs no Governo do FHC

Governo Lula ( Luiz Inácio Lula da Silva)
1.Caso Pinheiro Landim
2.Caso Celso Daniel
3.Caso Toninho do PT
4.Escândalo dos Grampos Contra Políticos da Bahia
5.Escândalo do Proprinoduto (também conhecido como Caso Rodrigo Silveirinha )
6.CPI do Banestado
7.Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MST
8.Escândalo da Suposta Ligação do PT com a FARC
9.Privatização das Estatais no Primeiro Ano do Governo Lula
10.Escândalo dos Gastos Públicos dos Ministros
11.Irregularidades do Fome Zero
12.Escândalo do DNIT (envolvendo os ministros Anderson Adauto e Sérgio Pimentel)
13.Escândalo do Ministério do Trabalho
14.Licitação Para a Compra de Gêneros Básicos
15.Caso Agnelo Queiroz (O ministro recebeu diárias do COB para os Jogos Panamericanos)
16.Escândalo do Ministério dos Esportes (Uso da estrutura do ministério para organizar a festa de aniversário do ministro Agnelo Queizoz)
17.Operação Anaconda
18.Escândalo dos Gafanhotos (ou Máfia dos Gafanhotos)
19.Caso José Eduardo Dutra
20.Escândalo dos Frangos (em Roraima)
21.Várias Aberturas de Licitações da Presidência da República Para a Compra de Artigos de Luxo
22.Escândalo da Norospar (Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná)
23.Expulsão dos Políticos do PT
24.Escândalo dos Bingos (Primeira grave crise política do governo Lula) (ou Caso Waldomiro Diniz)
25.Lei de Responsabilidade Fiscal (Recuos do governo federal da LRF)
26.Escândalo da ONG Ágora
27.Escândalo dos Corpos (Licitação do Governo Federal para a compra de 750 copos de cristal para vinho, champagne, licor e whisky)
28.Caso Henrique Meirelles
29.Caso Luiz Augusto Candiota (Diretor de Política Monetária do BC, é acusado de movimentar as contas no exterior e demitido por não explicar a movimentação)
30.Caso Cássio Caseb
31.Caso Kroll
32.Conselho Federal de Jornalismo
33.Escândalo dos Vampiros
34.Escândalo das Fotos de Herzog
35.Uso dos Ministros dos Assessores em Campanha Eleitoral de 2004
36.Escândalo do PTB (Oferecimento do PT para ter apoio do PTB em troca de cargos, material de campanha e R$ 150 mil reais a cada deputado)
37.Caso Antônio Celso Cipriani
38.Irregularidades na Bolsa-Escola
39.Caso Flamarion Portela
40.Irregularidades na Bolsa-Família
41.Escândalo de Cartões de Crédito Corporativos da Presidência
42.Irregularidades do Programa Restaurante Popular (Projeto de restaurantes populares beneficia prefeituras administradas pelo PT)
43.Abuso de Medidas Provisórias no Governo Lula entre 2003 e 2004 (mais de 300)
44.Escândalo dos Correios (Segunda grave crise política do governo Lula. Também conhecido como Caso Maurício Marinho)
45.Escândalo do IRB
46.Escândalo da Novadata
47.Escândalo da Usina de Itaipu
48.Escândalo das Furnas
49.Escândalo do Mensalão (Terceira grave crise política do governo. Também conhecido como Mensalão)
50.Escândalo do Leão & Leão (República de Ribeirão Preto ou Máfia do Lixo ou Caso Leão & Leão)
51.Escândalo da Secom
52.Esquema de Corrupção no Diretório Nacional do PT
53.Escândalo do Brasil Telecom (também conhecido como Escândalo do Portugal Telecom ou Escândalo da Itália Telecom)
54.Escândalo da CPEM
55.Escândalo da SEBRAE (ou Caso Paulo Okamotto)
56.Caso Marka/FonteCindam
57.Escândalo dos Dólares na Cueca
58.Escândalo do Banco Santos
59.Escândalo Daniel Dantas - Grupo Opportunity (ou Caso Daniel Dantas)
60.Escândalo da Interbrazil
61.Caso Toninho da Barcelona
62.Escândalo da Gamecorp-Telemar (ou Caso Lulinha)
63.Caso dos Dólares de Cuba
64.Doação de Roupas da Lu Alckmin (esposa do Geraldo Alckimin)
65.Doação de Terninhos da Marísia da Silva (esposa do presidente Lula)
66.Escândalo da Nossa Caixa
67.Escândalo da Quebra do Sigilo Bancário do Caseiro Francenildo (Quarta grave crise política do governo Lula. Também conhecido como Caso Francenildo Santos Costa)
68.Escândalo das Cartilhas do PT
69.Escândalo do Banco BMG (Empréstimos para aposentados)
70.Escândalo do Proer
71.Escândalo dos Fundos de Pensão
72.Escândalo dos Grampos na Abin
73.Escândalo do Foro de São Paulo
74.Esquema do Plano Safra Legal (Máfia dos Cupins)
75.Escândalo do Mensalinho
76.Escândalo das Vendas de Madeira da Amazônia (ou Escândalo Ministério do Meio Ambiente).
77.69 CPIs Abafadas pelo Geraldo Alckmin (em São Paulo)
78.Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo Lula
79.Crise da Varig
80.Escândalo das Sanguessugas (Quinta grave crise política do governo Lula. Inicialmente conhecida como Operação Sanguessuga e Escândalo das Ambulâncias)
81.Escândalo dos Gastos de Combustíveis dos Deputados
82.CPI da Imigração Ilegal
83.CPI do Tráfico de Armas
84.Escândalo da Suposta Ligação do PT com o PCC
85.Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MLST
86.Operação Confraria
87.Operação Dominó
88.Operação Saúva
89.Escândalo do Vazamento de Informações da Operação Mão-de-Obra
90.Escândalo dos Funcionários Federais Empregados que não Trabalhavam
91.Mensalinho nas Prefeituras do Estado de São Paulo
92.Escândalo dos Grampos no TSE
93.Escândalo do Dossiê (Sexta grave crise política do governo Lula)
94.ONG Unitrabalho
95.Escândalo da Renascer em Cristo
96.CPI das ONGs
97.Operação Testamento
98.CPI do Apagão Aéreo ( Câmara dos Deputados)
99.CPI da Crise Aérea ( Câmara dos Senadores)
100.Operação Hurricane (também conhecida Operação Furacão )
101.Operação Navalha
102.Operação Xeque-Mate

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Falta patriotismo

O patriotismo é um sentimento pequeno. Ele nos remete ao tempo em que estávamos divididos em nacoes bem isoladas e culturalmente separadas umas das outras. O patriotismo atual, se cultivado, deveria exaltar o nosso senso de terráqueos, composto por uma comunidade de "macacos" tecnologicamente desenvolvidos que se interage a nível global e deveria sentir-se orgulhosa de pertencer a este planeta.

Divagacoes a parte, continuo sem conseguir explicar porque o Brasil é um país tao pequeno e tao sem falta de planos. Todo mundo fala que o Brasil é um país grande. O país é grande sim territorialmente mas a cabeca dos brasileiros em geral é muito pequena, limitada e cheia de pensamentos superfluos e isso transforma o nosso país num pequenino país. Nao que tenhamos que ter grandes projetos, muito menos desejar que todos os brasileiros se tornem filósofos ou fiquem pensando de onde viemos e pra onde vamos. Nao é isso. O que acontece é que carecemos de líderes, em geral; líderes que sejam moralmente respeitáveis, no seu cuidado com o próximo e com nossa terra.

Um líder nao precisa ser o presidente da república embora obviamente ele deva ser um grande exemplo para o país. Os líderes estao por toda parte, desde o gerente de uma lanchonete até o diretor de uma empresa pública ou privada. Estas pessoas nao se dao conta de sua importancia no mundo "interligado" que vivemos hoje e nao parcebem que sao elas mesmas quem podem mudar nosso futuro e o futuro das espécies que vivem neste nosso planeta pra melhor.

Estou no México para uma conferencia da universidade para a qual trabalho. É minha primeira vez aqui e estou abismado com as similaridades culturais/sociais entre nossos países. É incrível. Há uma grande diferenca sim, a nossa heranca cultural predominantemente luso-africana se contrapoe com a cultura hispana-azteca deles, mas mesmo assim me identifiquei muito com nossos "hemanos" latinos. Só fico triste em verificar, mais uma vez, que o Brasil está ficando pra trás neste passado recente. O México me pareceu estar mais desenvolvido que o Brasil em diversos aspectos. Por exemplo, há uma central telefonica, amplamente divulgada aqui, de combate a corrupcao em qualquer nível: federal, estadual ou municipal. Voce liga e denuncia. Se a denúncia é devidamente apurada isso é outra coisa. E por aí vai...

Os brasileiros precisam abrir suas mentes, aqueles que possuem algum cargo de lideranca devem exerce-la com a responsabilidade de quem pode sim mudar o mundo. Viva o mundo!

Quarta-feira, Setembro 26, 2007

Continuação da minha "saga" no PV

Há muito tempo não escrevo nada aqui. Não é por falta de vontade. Já me peguei escrevendo (mentalmente) dezenas de mensagens sobre os acontecimentos políticos dos últimos meses neste "buraco" chamado Brasil.

Queria, entretanto, comentar como tem sido minha história recente lá no PV, partido ao qual me filiei há uns 3 anos após um duro processo de análise e escolha que compartilhei com vocês neste blog.

Após o episódio da cláusula de barreira que limitava, na prática, o número de partidos no País e sua subsequente anulação pelo STF eu passei por uma fase de achar que o partido tinha acabado até a fase atual onde o partido começa a "colher os frutos" mediáticos da destruição do planeta (não pensem que estejamos felizes por isso). Com o documentário "estrondoso" de Al Gore e a crescente aceitação de que no mínimo algo de estranho está ocorrendo no clima da Terra, as pessoas começam a olhar para os "Partidos Verdes" do mundo com mais atenção e não está sendo diferente no Brasil. É uma pena que seja tão tarde, tenho a impressão de que conseguiremos salvar poucas áreas e espécies da Terra.

Enfim, fui convidado a integrar uma "zonal" do PV e após pensar nas implicações que isso traria à minha vida decidi aceitar, pois acho que vou poder continuar aprendendo sobre política no Brasil. Inclusive, já por conta disso, tive a oportunidade de assistir uma palestra muito interessante com um ex-integrante do PT, que nos explicou como foi o montada a campanha do Lula para as eleições de 1989. O PT sempre foi um partido bem organizado e, com o tempo, foi aprendendo a mobilizar sua militância com persistência.

Neste exato momento estou desenvolvendo um plano de ação para tentar aumentar o eleitorado do PV na minha "zonal" mas não quero entrar na dinâmica fácil de tentar entender os problemas da região para propor soluções. Eu gostaria tentar ajudar a solucionar alguns dos problemas da região já durante a campanha pois ninguém aguenta mais promessas neste País.

Quero contar aqui como este trabalho tem sido feito.

Transparência Internacional

Eu gosto muito do trabalho desta organização chamada Transparência Internacional. Já conheci pessoas que trabalharam no escritório do Brasil e acho que a sociedade deveria consultar o trabalho deles com mais frequência. Li a notícia abaixo, vergonhosa, no UOL.

Brasil é apenas o 72º na lista de países menos corruptos

LONDRES, 26 Set 2007 (AFP) - O Brasil aparece na modesta 72ª colocação na lista anual do índice de percepção da corrupção, que inclui 180 países, divulgada nesta quarta-feira pela organização não governamental Transparência Internacional (TI).

O índice, estabelecido por meio de pesquisas realizadas entre homens de negócios e especialistas em 180 países, vai de 10 para um Estado considerado "limpo" a 0 para um Estado considerado "corrupto".

No caso do Brasil, a nota ficou em apenas 3,5.

De acordo com a TI, a corrupção afeta a recuperação de países devastados pela violência, incluindo Iraque e Somália, que se uniram a Mianmar na relação dos países mais afetados por este mal, segundo o relatório divulgado em Londres.

O informe anual da Transparência Internacional (TI) destaca que muitos dos países mais pobres do planeta também se encontram entre os mais prejudicados por este problema.

Os países "limpos", encabeçados por Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia - todos com nota 9,4 -, também deveriam fazer mais esforços para evitar que suas empresas tentem corromper os políticos de outros Estados ou não fazer mais vista grossa para a procedência de fundos suspeitos depositados em suas instituições financeiras, segundo a TI.

A lista dos 10 países mais transparentes se completa com Cingapura, Suécia, Islândia, Holanda, Suíça, Canadá e Noruega. Os Estados Unidos aparecem na 20ª posição com a nota 7,2.

Além de Iraque (1,5), Somália e Mianmar (1,4 cada), os três últimos países da lista, a relação das nações mais corruptas inclui Haiti, Uzbequistão, Tonga, Sudão, Chade e Afeganistão.

"Os países do final da classificação devem levar a sério estes resultados e agir já para fortalecer a responsabilidade de suas instituições públicas", destacou Huguette Labelle, presidente da TI.

"Porém, as ações dos países bem classificados também são importantes, sobretudo para combater a corrupção no setor privado", acrescentou.

Quase 40% dos países com índice abaixo de três - onde se considera que a corrupção afeta todos os setores - são classificados como "pobres" pelo Banco Mundial.

O país sul-americano mais bem colocado é o Chile (7,0), com a 22ª posição. A Argentina, com 2,9, aparece como o número 105 na relação da TI.

Sexta-feira, Junho 08, 2007

Ideas cannot be killed

Achei os argumentos do texto interessantes, embora facilmente refutáveis.

Ideas cannot be killed
Fidel Castro Ruz

The soldiers, fuelled by hatred and adrenalin, were aiming their
weapons at me even before they had identified who I was. "Ideas
cannot be killed," the black lieutenant kept repeating in a hushed
voice.

A FEW days ago, while analysing the expenses involved in the
construction of three submarines of the Astute series, I said that
with this money "75,000 doctors could be trained to look after 150
million people, assuming that the cost of training a doctor would be
one-third of what it costs in the United States." Now, along the
lines of the same calculations, I wonder: how many doctors could be
graduated with the $100 billion that Bush gets his hands on in just
one year to keep on sowing grief in Iraqi and American homes?
Answer: 999,990 doctors who could look after two billion people who
do not receive any medical care today.

More than 600,000 people have lost their lives in Iraq and more than
two million have been forced to emigrate since the American invasion
began.

In the United States, around 50 million people do not have medical
insurance. The blind market laws govern how this vital service is
provided, and prices make it inaccessible for many, even in the
developed countries. Medical services feed into the Gross Domestic
Product of the United States, but they do not generate conscience
for those providing them nor peace of mind for those who receive
them.

The countries with less development and more diseases have the least
number of medical doctors: one for every 5,000, 10,000, 15,000,
20,000 or more people. When new sexually transmitted diseases appear
such as HIV/AIDS, which in merely 20 years has killed millions of
persons — while tens of millions are afflicted, among them many
mothers and children, although palliative measures now exist — the
price of medications per patient could add up to $5,000, $10,000 or
up to $15,000 each year. These are fantasy figures for the great
majority of developing countries where the few public hospitals are
overflowing with the ill who die piled up like animals under the
scourge of a sudden epidemic.

To reflect on these realities could help us to better understand the
tragedy. It is not a matter of commercial advertising that costs so
much money and technology. Add up the starvation afflicting hundreds
of millions of human beings; add to that the idea of transforming
food into fuels; look for a symbol and the answer will be George W.
Bush.

When he was recently asked by an important personality about his
Cuba policy, his answer was this: "I am a hard-line President and I
am just waiting for Castro's demise." The wishes of such a powerful
gentleman are no privilege. I am not the first nor will I be the
last that Bush has ordered to be killed; nor one of those people who
he intends to go on killing individually or en masse.

"Ideas cannot be killed," Sarría emphatically said. Sarría was the
black lieutenant, a patrol leader in Batista's army who arrested us,
after the attempt to seize the Moncada Garrison, while three of us
slept in a small mountain hut, exhausted by the effort of breaking
through the siege. The soldiers, fuelled by hatred and adrenalin,
were aiming their weapons at me even before they had identified who
I was. "Ideas cannot be killed," the black lieutenant kept
repeating, practically automatically and in a hushed voice.

I dedicate those excellent words to you, Mr. Bush.

(The writer is the President of Cuba. He is recovering from major
surgery following a bout of life-threatening illness.)

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

São muitas emoções

Este "post" expressa uma mini reflexão sobre a última mensagem que publiquei aqui. Recebi algumas mensagens cobertas de razão quanto à apologia equivocada que fiz à possibilidade ditadura no Brasil. Realmente, acho que deixei minha revolta falar mais alto quando escrevi aquele texto e apelei para a possibilidade de uma solução "na porrada" para este país.

A morte do Pinochet no Chile este semana expôs esta dialética meio irracional que me meti quando escrevi aquele "post". Afinal, foi o mesmo general filho da mãe que matou milhares de estudantes quem desenhou o modelo econômico que hoje faz do Chile hoje um dos países mais igualitários e estáveis da América Latina.

Não estava criticando o Lula especificamente naquela mensagem, mas sim a morosidade estúpida que se tornou a democracia brasileira, onde os mesmos políticos de sempre ficam discutindo por anos problemas nacionais importantes com olho em interesses próprios.

Não acho que o Lula seja um cara que cague para o Brasil e também não acho que ele atue com interesses próprios ou de seus amigos. Mas acho que ao se adaptar à democracia podre do congresso e da política brasileira ele perdeu a força necessária para fazer mudanças estruturais neste país.

Imaginemos por exemplo uma ditatura do próprio Lula levando em consideração que ele seja um cara que ama o Brasil acima de tudo e que não se prenderia ao poder somente por desejo "animal" de poder. Talvez fosse legal: ele poderia mudar umas dez coisas importantes tipo reescrever a merda da nossa constituição atual, fazer uma reforma política de verdade, uma reforma trabalhista, uma reforma judicial/penitenciária e etc.

Pô. deixemos de infantilices, até o querido Getúlio Vargas que tem ruas com o seu nome em o todo o país foi Ditador em seu momento. Ditador não precisa matar gente ou fechar o jornais contrários à sua política. Mas valerá a pena correr o risco de ficar na mão de um só cara ou seu grupinho?!?

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Vamos para o fundo do poço?

O Brasil me envergonha. Me envergonha porque me sinto parcialmente responsavel pela grande merda que este pais se torna a cada dia. Nasci nesta merda, vivo nesta merda e vivo desta merda, entao sou parte diretamente envolvida e interessada, podendo portanto criticar.

Desde pequeno ouço dizer que o Brasil tem grande potencial, ou seja, ha mais de 20 anos. Naquela epoca, por volta de 1980, ja se dizia que "ha muito tempo se diz" que o Brasil tem grande potencial. Enfim, o Brasil tem grande potencial ha muitas decadas e ha muitas decadas so decepciona seus cidadaos.

Ontem conheci um taxista aqui no Chile onde estou a trabalho. Era chileno mas tinha se casado com uma brasileira e foi viver em Sao Paulo. Voltou ha poucos meses depois de alguns anos, surpreendido com o fato de absolutamente nada funcionar no Brasil. Segundo ele: "Desculpe, mas tudo lah eh ruim: escolas, segurança, saude, transporte, etc".

Nos ultimos anos tive a oportunidade de conhecer outros paises "emergentes" como o Brasil. Todos tinham seus problemas mas nenhum tinha todos os problemas ocorrendo juntos como o Brasil. Colombia, Venezuela, Chile, China, India, Marrocos estao todos crescendo e resolvendo seus problemas. O Brasil vai ficando para tras no mundo e aumentando seus problemas. Caimos ateh no IDH (Indice de desenvolvimento humano), agora somos o 69º pais mais desenvolvido do mundo... 69º!!!

Tenho estado muito pessimista ultimamente quanto ao Pais. E isto tem ocorrido pela simples comparacao direta que faço. Nossos carros sao ultrapassados, nossas leis sao ultrapassadas, nossos impostos sao impagaveis, nossas escolas e universidades - inclusive as particulares - sao verdadeiras merdas, nossas estradas nem comento, nossa segurança nem comento.

Como melhorar isso? serah que eh culpa do governo? Tentarei responder no proximo "post".

Terça-feira, Outubro 03, 2006

Primeira análise - Congresso

Ontem passei a noite toda analisando o resultado das eleicoes. Estou aqui na Espanha esta semana e os analistas politicos espanhois comentam duas coisas sobre as eleicoes brasileiras: primeiramente, que a surpresa nao foi ter acontecido um segundo turno, mas sim que o Alckmin tivesse tantos votos no primeiro turno. O segundo comentario que fazem eh que a composicao do congresso ficou bem complicada para um futuro governo PT.

Ao meu ver os resultados no Congresso foram ligeiramente positivos: somente 11 dos 63 envolvidos em corrupcao foram reeleitos (me surpreendeu que o merda do Valdemar Rouba Costa Neto recebesse 100 mil votos), o Ney Roubassuna tambem caiu fora, o Severino Roubacante tambem dancou, tal como a dancarina do PT e aqueles manes do PRONA.

Por outro lado o PFL fez maioria no Senado, complicando as coisas para o PT. O PP do Paulo Maluf tambem surpreendeu e o Maluf Rouba mas Faz vai controlar mais de 40 deputados na Camara, isto eh incrivel! Em pleno 2006, terceiro milenio, uma figura como o Maluf controlando 10% do Congresso eh foda, convenhamos.

O meu querido PV nao cumpriu a clausula de barreira, nao receberah mais recursos, nao terah tempo de TV, enfim, tende a sumir do mapa. Acho que vou ter que escolher outro partido para militar. O Brasil perde muito sem um Partido Verde mais forte. A natureza, a reciclagem, os mananciais e os animais que se fodam, foi o recado da maioria do eleitorado analfabeto brasileiro. Viva as favelas! Vamos continuar a derrubar florestas e construir favelas sobre os mananciais! Ninguem pensa a longo prazo neste pais. Mas tudo bem, tenho orgulho do PV de Sao Paulo, e do Estado de Sao Paulo em geral, onde o PV foi o 5 partido mais votado.

Deixei o comentário mais importante para o fim deste texto. Estive pensando numa eventual e complexa revira volta do Alckmin. O Lula e o PT, mesmo ganhando a presidencia, vao sair bem ferrados destas eleicoes. Vao ter que dar uma porrada de cargos para o prostituido PMDB para conseguir uma mísera minoria no Congresso. O PP sera o PTB/PL da vez, exigindo provavelmente varios cargos e mensaloes para votar com o governo. O Senado na mao do PFL tambem nao vai deixar barato. Enfim, ESTE PAIS TENDE A PARAR NOS PROXIMOS 4 ANOS. Jah uma vitoria do Alckmin, pensei, traria junto a maioria do Senado, um Congresso em maior peso ao seu lado (lembremos que o PMDB sempre fica do lado de quem ganha, ou seja, garantiria a maioria absoluta do congresso com os mesmos cargos que cobraria do PT). Acho que o pais seria mais governavel. Por outro lado poderia supor uma mudança administrativa importante, ou pelo menos diferente.

O que voces acham?

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Carta aberta ao eleitor 2006

Apos viver quase 4 anos fora do Brasil em paises como Australia, Espanha e India estudando e trabalhando, retornei ao Pais em 2003 disposto a ser "mais brasileiro" do que antes. Ser "mais brasileiro" no sentido de ser mais ativo e mais colaborador na discussao e geracao de ideias e acoes para fazer deste Pais um lugar melhor para viver.

Assim, paralelamente as minhas obrigacoes profissionais resolvi, junto com um amigo, participar mais da vida politica dos partidos nacionais. Consultei os partidos, pesquisei suas propostas ideologicas e estudei grandes pensadores politicos, de Weber a Maquiavel, de Hobbes e Gandhi. Tentei tambem levantar quais partidos tinham mais compromisso com suas promessas.

Por outro lado, por trabalhar no mercado de educacao de alto nivel, desde 2003 tive a oportunidade de conhecer pessoalmente ministros, vereadores, deputados e ate o ex-presidente FHC. Fiz perguntas a eles, tirei duvidas. Abrimos um blog em 2005 chamado "eleicoes.org" que ja recebeu a visita de mais de 10 mil pessoas.

Decidi me filiar ao PV Partido Verde por acreditar que este partido possuia a postura mais realista, mais humana e o maior indice de promessas cumpridas. O partido eh jovem e mantem sua posicao ideologica mesmo em situacoes politicas mais complicadas como sao as relacoes com as igrejas. Nao me decepcionei ao ver que nenhum membro do PV no Congresso foi envolvido nestes episodios nojentos que vem sendo noticiados nos ultimos anos.

Enfim, nao sou candidato, sou um brasileiro, neste momento estou num aeroporto indo de Buenos Aires a Lisboa a trabalho e pensando em "nossa casa" tao grande e desorganizada. Peco seu voto e de sua familia para o PV, pois o Partido precisa de mais de 5 milhoes de votos em todo o Brasil para continuar existindo apos estas eleicoes como um dos poucos 7 ou 8 grandes partidos que restarao no Pais. Vote 43.

Newton Campos, brasileiro
www.newtoncampos.com
Bacharel em Ciencias Contabeis, PUC de Sao Paulo
Mestrado em Administracao, IE Business School de Madri e IIM de Calcutah
Doutorando em Administracao, FGV de Sao Paulo

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Internet revela ao eleitor em quem não votar

Sites oferecem perfis, patrimônio, processos e até doadores dos candidatos
Guilherme Scarance

Ao digitar 21 vezes os botões da urna eletrônica, no dia 1º, o eleitor brasileiro estará sob intensa pressão. Operações da Polícia Federal, CPIs e denúncias sobrepostas numa velocidade inédita na história do País revelaram a importância de uma escolha consciente. Para se certificar de que os cinco candidatos selecionados não estarão no próximo escândalo, o brasileiro tem, na internet, um grande aliado. Para ajudar indecisos ou reforçar convicções, pelo menos seis portais especializados trazem o raio X detalhado daqueles que brigam pelo voto dos 125,9 milhões de eleitores.

Organizações não-governamentais como Voto Consciente, Contas Abertas e Transparência Brasil criaram páginas e ferramentas na internet que permitem conhecer o candidato, saber se ele está envolvido em denúncias ou se responde a processos criminais. Dá ainda para acompanhar a prestação de contas e a evolução do patrimônio. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais listam as candidaturas sob suspeita.

Desde o escândalo do mensalão, em junho de 2005, o Legislativo tem sido alvo constante. E isso se converteu em indecisão e desconfiança do eleitor. Habituada a acompanhar o noticiário político pela internet e se aprofundar pelos jornais, a engenheira química Andrea Fernanda, de 33 anos, é um exemplo. 'Não sei em quem votar para o Legislativo, porque todas as propostas são iguais. E, quando chegam ao poder, não fazem nada', protesta, indignada com os recentes casos de corrupção.

O portal Excelências, da Transparência Brasil, filtrou dados da Câmara, de diversos tribunais e da própria ONG para criar perfis detalhados dos candidatos a deputado federal e ajudar indecisos como Andréa. Após selecionar Estado, partido e nome do candidato, o internauta terá uma ficha completa. Se o político estiver tentando a reeleição, será possível destrinchar carreira política, ocorrências na Justiça, notícias, bens, receitas e despesas da campanha, lista de doadores da eleição de 2002 e ver o balanço da sua atuação parlamentar.

RANKING

Em 2005, 88,7 milhões de brasileiros se conectaram à internet, revelou no último dia 15 a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o mais completo estudo socioeconômico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 21% dos brasileiros, a maioria jovens que, com simples cliques de mouse, podem vasculhar o passado dos candidatos.

Quem aponta o interesse crescente dos jovens por política é o movimento Voto Consciente, ONG formada por voluntários que fiscaliza vereadores e deputados estaduais de vários Estados e faz regularmente um ranking dos parlamentares paulistas. O site do movimento traz, adicionalmente, informações básicas sobre as funções de cada Poder e indica cursos de política. Só em agosto, recebeu 123 mil acessos na sua página na internet. Em um único dia, foram 7,5 mil visitas.

Contas Abertas é uma entidade da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne 'interessados em conhecer e contribuir para o aprimoramento do dispêndio público'. Com base em dados e balanços oficiais, prepara análises ligadas ao Orçamento e à sua execução. Costuma denunciar o uso eleitoreiro de verbas públicas ou a abertura dos cofres de maneira incomum em ano de eleição. Também está tudo na internet.

POR REGIÃO

Para permitir o acompanhamento do panorama nacional, o Portal do Estadão traz a lista de todos os candidatos aos governos estaduais, além de resultados de pesquisas e notícias diárias, divididas por região.

Definidos os candidatos a deputado estadual e federal, senador, governador e presidente, os eleitores mais exigentes podem ainda vasculhar a página do próprio candidato, verificando as suas propostas, idéias e coligação partidária.

A partir de 2007, de seu micro, o internauta poderá cobrar o cumprimento das promessas. Aí, porém, o e-mail pode ficar sem resposta, avisa a vice-coordenadora-geral do movimento Voto Consciente, Rosângela Torrezan Giembinsky, que conhece bem as dificuldades de cobrar o Legislativo, pois acompanha há 19 anos o trabalho da Assembléia paulista e dos vereadores de São Paulo. 'A gente sabe que não é assim tão simples.'

http://www.votoconsciente.org.br/
http://www.transparencia.org.br/
http://perfil.transparencia.org.br/
http://contasabertas.uol.com.br/

Domingo, Agosto 13, 2006

Históricos de candidatos

Projeto Excelências reúne históricos de candidatos à Câmara dos Deputados

Entrou no ar no portal do iG o projeto Excelências, da Transparência Brasil, um cadastro com os históricos de todos os candidatos que buscam reeleição à Câmara dos Deputados, e mais ex-ministros, ex-senadores, ex-governadores e ex-prefeitos de capital que tentam eleger-se deputados federais

Os históricos de cada candidato incluem apenas dados de domínio público. O projeto Excelências colige e apresenta essas informações num lugar só.

Os dados incluem:

- Dados pessoais básicos e funções públicas que os candidatos exerceram.
- Informações sobre o desempenho legislativo dos candidados, como faltas, votações, uso de verbas de gabinete, emendas ao Orçamento apresentadas nos últimos anos.
- Declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral.
- Doadores de campanhas eleitorais passadas (2002 e, no caso daqueles que se candidataram a prefeito em 2004, também estes).
- Principais menções publicadas na imprensa em que o candidato aparece ligado a algum caso de corrupção.
- Referência dos processos (a partir da segunda instância) em que o candidato é indiciado como réu na Justiça Federal, nos tribunais superiores, na Justiça Eleitoral, nos Tribunais de Contas.

No lançamento, o Excelências inclui 150 candidatos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que são os três principais colégios eleitorais do país. A partir daí, serão introduzidos candidatos de um estado por dia, em média, completando o cadastro até o final do mês de agosto.

Use e divulgue:

http://perfil.transparencia.org.br/

Quinta-feira, Agosto 03, 2006

Consulte antes das eleições (e espalhe!)

Recebi esta mensagem de uma amiga e achei super útil. Não comprovei se o texto foi justo com os envolvidos mas pelo pouco que conheço dos políticos e partidos deste país posso concordar com a maioria de suas informações.

Infelizmente pouca gente no Brasil tem acesso à Internet e sabe usá-la. É SUA responsabilidade divulgar esta mensagem aos brasileiros que não possuem acesso à informação (graaaaaaaande maioria). Imprima, tire xerox e espalhe no seu escritório, na sua fábrica, na sua loja. Farei isso esta semana mesmo. Aqui vai:

Dados a consultar antes das eleições de 2006

Estamos a menos de 4 meses de mais uma eleição. Esta será um pouco diferente, pior.
Nunca o brasileiro esteve tão humilhado, sem esperança e vontade de perder tempo indo às urnas. O que se viu no último ano com os mensaleiros, sanguessugas e com a certeza da impunidade foi um duro golpe em nossos sonhos de dias melhores. Em momentos de crise como esse, somos obrigados a fazer uma avaliação profunda do quadro e por incrível que pareça este é o momento ideal para darmos um recado definitivo a essa corja que insiste em pilhar nosso dinheiro e tratar com leviandade o que é de interesse público.

Nunca vivemos um momento em nossa história onde a mídia foi mais atuante e transparente. Os políticos desonestos estão sendo denunciados todo dia na TV, revistas e jornais, e se não são punidos por seus pares ou pela nossa Justiça, que carece de uma devassa também, podem ser punidos por nós, cidadãos brasileiros, trabalhadores e contribuintes.

Podemos puní-los de uma maneira muito dura com nosso voto, se votar de maneira consciente tiraremos do poder esses canalhas parasitas e eles serão julgados dos seus crimes como qualquer um, pois perderão sua imunidade parlamentar.

Com base no jornal O Globo de 19/07/2006, na revista Veja edição 1964 de 12/07/2006 e no portal da Câmara dos Deputados (www.camara.gov.br) temos as seguintes informações:


A leitura desses números é a seguinte: dos 8 Deputados Federais do estado do Mato Grosso, 7 deles tem seu nome relacionado a algum tipo de crime e estão sendo investigados. Por isso, povo do Mato Grosso, sua responsabilidade na hora de votar é muito grande. Não só de vocês, mas de todos os estados cujo percentual de Deputados envolvidos em algum crime seja maior que 20% (percentual arbitrado, considerado tolerável, mas se você for mais rígido, diminua e veja o que resta). Desse conjunto só escapam o ES, SC, RS, PE e AM.

Agora vamos ver esses números por partido:


A leitura dos números é a mesma da estatística por estado. Como vemos aqui, não é surpresa ver os partidos do mensalão encabeçando a lista. Usando como tolerância os mesmos 20%(isso é pra ter em quem votar) os partidos que ESCAPAM desse grupo nefasto são: PSDB(45), PSB(40), PFL(25), PPS(23), PT(13), PC do B(65), PSOL(50) e PTC(36).

Se queremos ver esse país recuperar a sua dignidade, precisamos riscar do mapa os partidos que ambicionam o poder por interesse próprio, mesquinhos e fisiológicos.

NÃO VOTAR nesses partidos PRB(10), PP(11), PL(22), PRONA(56), PTB(14), PMDB(15) e PSC(20) é como gritar que não vamos admitir que tratem o Brasil de forma leviana e desonesta.

Desta vez está em nossas mãos, não podemos mais dizer que não sabíamos de nada.
Se quiserem ser mais específicos, segue a relação dos Deputados que não deveriam receber um novo mandato (por nome e logo por Estado):




Para finalizar, tenham em mente que não delegamos responsabilidade a ninguém, delegamos poder, mas a responsabilidade de transformar este país é nossa e o mínimo que fazemos é votar com consciência.

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Conflito de culturas

A guerra unilateral imposta por Israel ao Líbano evidência o conflito de culturas existente naquela região. Israel é um pedacinho de terra ocidental, sem petróleo, cravado no meio do mundo árabe-muçulmano. O modo de viver judaico-cristão da Europa medieval se combinou perfeitamente com a filosofia protestante anglo-saxã, gerando o modo de viver "ocidental" que tanto admiramos e acreditamos ser o mais correto.

Depois de nascer: estudar, consumir, viajar, amar, respeitar, trabalhar e conquistar coisas são valores bem em voga no nosso ocidente dito "civilizado" que há apenas 50 anos não permitia negros e brancos numa mesma sala de aula nos EUA liberal. Há tão somente 100 anos inauguramos o bairro de Copacabana no Rio de Janeiro e conseguimos acabar de dizimar os índios no interior do Brasil. Nossa "civilização" de direitos iguais não era tão civilizada assim há pouco tempo atrás, mas ainda assim nosso marketing é bom. Fazemos os japoneses, os chineses, os russos e agora os indianos acreditarem que nosso sistema de vida e nossos valores são melhores. Claro! todo mundo vende algo pra todo mundo, todo mundo abre uma empresinha aqui e acolá, vende sua hora de trabalho ou de raciocínio 8 horas por dia, exporta e importa alguma coisa e parece que vamos aceitando a "sentar numa poltrona com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar". É mais cômodo.

Foi assim que criamos nossa "colônia" ocidental em Israel. Criamos lá um país "na porrada" e mandamos os vizinhos se danarem. Em Israel as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, o governo é democrático, há parlamento e livre comércio, enfim, uma mistureba de culturas norte-americana e européia onde os judeus finalmente podem sentir-se em casa. O problema é que nós tomamos as terras de uns caras barbudos, que amam um Deus único (único mesmo!) e não gostam dos hábitos ocidentais.

Mas essa política de "má vizinhança" vai render a Israel muita história triste ainda. Num dia qualquer, desses comuns, algum árabe sem família (morta pelos judeus) conseguirá colocar uma bomba daquelas atômicas ou parecidas em Israel e mandar aquele bando de ocidental orgulhoso para o buraco. Nós tomaremos o lado de Israel, claro, mas a Russia e a China podem tomar o lado dos árabes só para animar e então a briga pode ser feia.

O ser humano adora calamidades, a distância entre a paz e o pânico e a violência generalizada é muito tênue. Um pcc porcaria qualquer consegue parar a terceira maior cidade do mundo, imagine um monte de exército excitado mundo afora.

Terça-feira, Julho 25, 2006

Suspeitos de Roubo

Publico aqui a lista dos parlamentares envolvidos nos roubos através de emendas para compra de ambulâncias. Os dados são do Jornal da Globo.

Parlamentares investigados pela CPI das Sanguessugas.

Notificados pela CPI antes da divulgação da lista:
1. Almeida de Jesus (PL-CE)
2. Benedito Dias (PP-AP)
3. Cabo Júlio (PMDB-MG)
4. Edir Oliveira (PTB-RS)
5. Fernando Gonçalves (PTB-RJ)
6. Iris Simões (PTB-PR)
7. João Caldas (PL-AL)
8. Lino Rossi (PP-MT)
9. Nilton Capixaba (PTB-RO)
10. Pastor Amarildo (PSC-TO)
11. Paulo Baltazar (PSB-RJ)
12. Paulo Feijó (PSDB-RJ)
13. Pedro Henry (PP-MT)
14. Teté Bezerra (PMDB-MT)
15. Wanderval Santos (PL-SP)

Notificados pela CPI depois da divulgação da lista:

1. Alceste Almeida (PTB-RR)
2. Almir Moura (PFL-RJ)
3. Amauri Gasques (PL-SP)
4. Benedito de Lira (PP-AL)
5. Cleonâncio Fonseca (PP-SE)
6. Coriolano Sales (PFL-BA)
7. Dr. Heleno (PSC-RJ)
8. Dr. Ribamar Alves (PSB-MA)
9. Edna Macedo (PTB-SP)
10. Eduardo Gomes (PSDB-TO)
11. Eduardo Seabra (PTB-AP)
12. Elaine Costa (PTB-RJ)
13. Enivaldo Ribeiro (PP-PB)
14. Fernando Estima (PPS-SP)
15. Irapuan Teixeira (PP-SP)
16. Isaías Silvestre (PSB-MG)
17. Itamar Serpa (PSDB-RJ)
18. Jefferson Campos (PTB-SP)
19. João Batista (PFL-SP)
20. João Correia (PMDB-AC)
21. João Mendes de Jesus (PSB-RJ)
22. José Divino (PRB-RJ)
23. José Militão (PTB-MG)
24. Junior Betão (PL-AC)
25. Laura Carneiro ( PFL-RJ)
26. Marcelino Fraga (PMDB-ES)
27. Marcos Abramo (PFL-SP)
28. Mario Negromonte (PP-BA)
29. Mauricio Rabelo (PL-TO)
30. Nélio Dias (PP-RN)
31. Neuton Lima (PTB-SP)
32. Ney Suassuna (senador, PMDB-PB)
33. Osmânio Pereira (PTB-MG)
34. Raimundo Santos (PL-PA)
35. Reginaldo Germano (PP-BA)
36. Reinaldo Betão (PL-RJ)
37. Reinaldo Gripp (PL-RJ)
38. Ricarte de Freitas (PTB-MT)
39. Vanderlei Assis (PP-SP)
40. Vieira Reis (PRB-RJ)
41. Wellignton Fagundes (PL-MT)
42. Zelinda Novaes (PFL-BA)

Terça-feira, Julho 18, 2006

Deputados ladrões: Evangélicos e do RJ

Enquanto não é divulgada a lista dos deputados ladrões da máfia das ambulâncias, especula-se sobre quantos e quais deputados terão seus nomes envolvidos e consequentemente sua reeleição comprometida para as próximas eleições.

Ontem o deputado Fernando Gabeira nos deu algumas pistas: há muitos deputados do Rio de Janeiro, de Mato Grosso e da bancada evangélica na lista. Ora, tirando o Mato Grosso (sede da empresa corruptora) não é de se estranhar que os deputados ladrões sejam em sua maioria do Estado mais decandente da Federação e das igrejas mais usurpadoras e descaradas que existem no país. Igreja esta, por sinal, que foi "inventada" no mesmo Rio de Janeiro pelo "bispo" Edir Macedo.

Por outro lado, os cidadãos do Rio clamam por ações públicas que diminuam a construção de favelas na cidade. Coitados, estão abandonados com uma dona de casa evangélica de governadora (parece piada!!!). Os jornais estão cheios de queixas de favelização. Por incrível que pareça, como se já não houvesse favela suficiente na cidade, várias partes da Floresta da Tijuca estão sendo invadidas para construção de barracos. As encostas do Túnel Rebouças são um exemplo.

Mas o pior de tudo é a falta de perspectiva de melhora. Muito pelo contrário, o Rio de Janeiro parece ser um exemplo a ser copiado em vários aspectos: vide PCC copiando o Comando Vermelho. Viva o Pan 2007! Amém.

Sexta-feira, Julho 14, 2006

Nada de novo

Há algumas semanas não publicamos nada por aqui. Os outros membros do Blog também estão sumidos, a Claudinha - economista - estará a trabalho por Houston, Amsterdam ou Chicago (ninguém sabe seu paradeiro). O Gui foi fazer um curso em Brasília e deve se mudar para Goiânia em breve. O doutorado me consome e ainda fui despejado de casa há uns 15 dias e tive que encontrar outro apartamento às pressas, então tenho estado um pouco afastado dos debates políticos...

Ainda assim, sei que a "saguessuga" está rolando, sei que ninguém libera a lista com os 60 deputados ladrões que roubam nossos impostos descaradamente. Também ouvi dizer que os deputados e senadores nem vão à Brasília mais - já estão todos em campanha.

Também vi outro dia que o Jornal Nacional e outros telediários já estão acompanhando os candidatos a presidente. O PCC quis reaparecer aqui em São Paulo mas não tô nem aí pra eles, ficam colocando fogo em ônibus, que babaquice, deveriam colocar fogo lá nos Ministérios, no Congresso abandonado e no Palácio do Alvorada.

Enfim, na próxima terça-feira dia 18 de Julho terei um jantar do PV pelo qual paguei R$100,00 para acompanhar o lançamento da candidatura de nosso ilustre candidato ao Senado por São Paulo: o Domingos Fernandes, um dos fundadores do PV. Espero encontrar lá também nosso candidato a Governador (Claudio Mauro) bem como outros membros do PV de São Paulo para trocar algumas idéias de primeiramão e depois publicar aqui.

Nota do Jornal do Senado:
"O único dos senadores da Região Sudeste que tentará se reeleger é Eduardo Suplicy (PT-SP), que briga por sua cadeira com Guilherme Afif Domingos (PFL), Marcelo Lobo (PSB), Luiz Carlos Prates (PSTU) e Domingos Fernandes (PV)."

Domingo, Junho 25, 2006

A colméia murmurante ou os velhacos se tornaram honestos

The Grumbling Hive or Knaves turn’d Honest
Bernard Mandeville, século XVIII


Uma grande colméia, repleta de abelhas,
Que viviam com luxo e comodidade,
Porém eram tão famosas por leis e armas
Quanto por copiosos e precoces enxames,
Era tida como o grande berço
Das ciências e da indústria.
Não havia abelhas que possuíssem governo melhor,
Maior volubilidade ou menos contentamento;
Não eram escravas da tirania,
Nem governadas pela desenfreada Democracia,
E sim por reis, que não podiam errar,
Pois seu poder era restrito por leis.

Esses insetos viviam como os homens,
E todas as nossas ações executavam em miniaturas;
Faziam tudo o que se faz na cidade,
E o que é da alçada da espada ou toga,
Embora os trabalhos engenhosos dos membros minúsculos
De tão ligeiros escapassem à vista humana.
Entretanto, não temos máquinas, trabalhadores,
Navios, Castelos, armas, artífices,
Ofício, ciência, loja ou instrumento
Para os quais não possuíssem equivalente;
Estes, sendo sua língua desconhecida,
Devem ser chamados com os nomes que damos aos nossos.
Como concessão, entre outras coisas,
Queriam dados, mas tinham reis,
E estes tinham guardas, do que se pode, acertadamente,
Concluir que algum jogo havia,
A menos que exista um regimento
De soldados que não pratique nenhum.
Grandes números abarrotavam a fértil colméia,
Porém essa multidão fazia com que prosperassem;
Milhões empenhavam-se em satisfazer
Mutuamente sua cupidez e vaidade,
Enquanto outros milhões labutavam
Para ver destruídas suas obras.
Abasteciam metade do universo,
Porém tinham mais trabalho que trabalhadores.
Alguns, com grande capital e pouco esforço,
Lançavam-se a negócios de fabulosos lucros;
Outros estavam condenados à foice e à espada,
E a todos esses árduos e cansativos ofícios
Nos quais, voluntariamente, desgraçados suam dia após dia,
Esgotando as forças e os membros para poderem comer,
Enquanto outros se dedicavam a mistérios
Aos quais poucos encaminhavam aprendizes,
Que não requeriam outro cabedal senão o descaramento,
E podiam estabelecer-se sem um centavo sequer,
Como trapaceiros, parasitas, gigolôs, jogadores,
Punguistas, falsários, charlatães, adivinhos
E todos os que, inimigos
Do trabalho honesto, astuciosamente
Convertiam em seu próprio benefício
O trabalho do afável e incauto próximo.

A esses chamavam velhacos, mas exceto pelo nome,
Os austeros industriosos eram iguais;
Todos os negócios e cargos tinham algo de desonesto,
Nenhuma profissão era isenta de embustes.
Os advogados, cuja arte tinha por base
Suscitar contendas e dividir causas,
Opunham-se a todos os registros, pois as trapaças
Poderiam dar mais trabalho com propriedades hipotecadas,
Como se fosse ilegal que o patrimônio de alguém
Fosse conhecido sem uma ação judicial.
Postergavam deliberadamente as audiências,
Para embolsar polpudos honorários,
E, para defender uma causa iníqua,
Examinavam e observavam as leis,
Como ladrões que espreitam lojas e casas
Para descobrir qual o seu ponto fraco.


Médicos valorizavam fama e riqueza
Acima da saúde dos depauperados pacientes
Ou de sua própria habilidade; a maior parte estudava,
Em vez de as regras da arte,
Olhares graves e pensativos e atitudes apáticas,
Para ganhar a simpatia do boticário
E elogios das parteiras, sacerdotes
E todos os que lidavam com nascimentos e funerais,
Suportar a incessante tagarelice da tribo,
E ouvir a tia da dona da casa prescrever,
Com um sorriso afetado e um cortês “como vai?”
Para bajular toda a família
E, o que é o pior de todos os tormentos,
Agüentar a impertinência das enfermeiras.

Entre os muitos sacerdotes de Júpiter,
Contratados para invocar as bênçãos do céu,
Alguns havia sábios e eloqüentes,
Mas milhares lascivos e ignorantes;
Contudo, todos preenchiam os requisitos que podiam ocultar
Sua preguiça, luxúria, avareza e orgulho,
Pelos quais eram tão famosos quanto alfaiates
Por sonegar retalhos e marinheiros por rum.
Alguns, magros e pobremente vestidos,
Rezavam misticamente por pão,
Com isso querendo dizer uma farta despensa,
Contudo, literalmente, não recebiam nada além.
E, enquanto esses santos labutadores passavam fome,
Alguns preguiçosos a quem serviam
Abandonavam-se ao ócio, com todas as graças
Da saúde e da fartura nas faces.

Os soldados, que eram forçados a lutar,
Se sobrevivessem, auferiam honrarias,
Embora alguns, que se esquivavam de brigas sangrentas,
Houvessem sido feridos na fuga.
Alguns generais valentes combatiam os inimigos,
Outros aceitavam suborno para deixa-los escapar;
Alguns aventuravam-se sempre onde a luta era mais renhida,
Perdiam ora uma perna, ora um braço,
Até que, totalmente inválidos, eram postos de lado,
E viviam com a metade do soldo,
Enquanto outros nunca apareciam no campo de batalha,
E ficavam em casa recebendo em dobro.

Seus reis eram servidos, porém astutamente
Logrados pelo seu próprio ministério;
Muitos, que pelo seu bem-estar arduamente trabalhavam,
Roubavam a própria coroa a quem salvavam;
As pensões eram pequenas, e eles viviam à larga,
Porém jactavam-se de sua honestidade,
Chamando, sempre que extrapolavam seus direitos,
Gratificação a seu logro matreiro;
E, quando entendiam seu jargão,
Mudavam o nome para emolumento,
Relutantes em ser concisos ou explícitos
Com tudo o que se referisse a ganhos;
Pois não havia abelha que não quisesse
Ganhar mais, não direi, do que merecia,
Porém do que ousava permitir que soubessem
Aqueles que lhes pagavam, como jogadores
Que, embora jogando limpo, nunca revelam
Aos perdedores o quanto ganharam.


Mas quem pode enumerar todas as suas fraudes?
O próprio material que na rua
Vendiam como esterco para enriquecer o solo,
Freqüentemente, como descobria o comprador,
Era sofisticado com um quarto
De pedras e argamassa imprestáveis,
Embora pouca razão tivesse para queixar-se
Aquele que também vendia gato por lebre.

A própria Justiça, célebre pela equanimidade
Embora cega não perdera o tato;
Sua mão esquerda, que deveria sustentar a balança,
Deixara-a muitas vezes pender, subornada com ouro;
E, conquanto parecesse imparcial,
Quando se tratava de punição corporal,
Alardeava seguir curso regular
Em assassinatos e todos os crimes violentos,
Porém alguns, primeiro mandados ao pelourinho por desonestidade,
Eram enforcados na própria corda com que haviam sido açoitados.
Contudo, pensava-se, a espada que ela empunhava
Reprimia apenas os pobres e desesperados
Que, impelidos por mera necessidade,
Eram amarrados à árvore dos desgraçados
Por crimes que não mereciam tal destino,
Senão para proteger os ricos e poderosos.

Assim, o vício imperava em cada parte,
Embora o todo fosse um paraíso;
Incensados na paz, temidos na guerra,
Tinham o respeito dos estrangeiros,
E, na abundância de riqueza e vidas,
Eram a força preponderante entre todas as colméias.
Tais eram as bênçãos daquele estado
Que seus crimes conspiravam para torna-lo grandioso;
E a virtude, que com a política
Aprendera milhares de artifícios sutis,
Tornara-se, pela feliz influência,
Amiga do vício, e desde então
O pior elemento em toda a multidão
Fazia algo para o bem comum.
Era essa a estatística que regia
O todo, do qual cada parte reclamava;
Isso, como na harmonia musical,
Conciliava as dissonâncias no geral.
Grupos diretamente opostos
Ajudavam-se mutuamente, como por perversidade,
E a temperança e a sobriedade
Serviam à embriaguez e à gula.

A avareza, raiz do mal,
Esse maldito, perverso, pernicioso vício,
Era escrava da prodigalidade,
O pecado nobre; enquanto o luxo
Empregava um milhão de pobres,
E o orgulho odioso, mais um milhão.
A própria inveja e a vaidade
Eram ministros da indústria;
Sua extravagância predileta, a volubilidade
No comer, vestir-se e mobiliar,
Tornara-se, vício estranho e ridículo,
A própria roda que movia os negócios.
Suas leis e seus trajes eram, igualmente,
Coisas mudáveis,
Pois, o que em certo momento era bem visto,
Meio ano depois tornava-se crime.
Entretanto, enquanto assim alteravam suas leis,
Sempre encontrando e corrigindo imperfeições,
Através da inconstância reparavam falhas
Que a prudência não poderia prever.

Assim, o vício fomentava a engenhosidade
Que, unida ao tempo e ao trabalho,
Propiciava as comodidades da vida,
Seus verdadeiros prazeres, confortos e facilidades,
A tal ponto que mesmos os pobres
Viviam melhor que os ricos de outrora,
E nada mais havia a acrescentar-se.

Como é vã a felicidade dos mortais!
Tivessem eles noção dos limites da bem-aventurança,
E de que a perfeição, cá embaixo,
Está acima do que os deuses podem conceder,
E os queixosos animais ter-se-iam contentado
Com ministros e governo.
Porém eles, a cada sobrevento,
Como criaturas irremediavelmente perdidas,
Maldiziam os políticos, o exército, as frotas,
Enquanto cada um gritava “Abaixo os desonestos!”,
Apesar de cônscio dos próprios defeitos,
Dos demais, barbaramente, não tolerava nenhum.

Um, que conseguira patrimônio principesco
Enganando o patrão, o rei e os pobres,
Atrevia-se a bradar “Que a terra pereça
Por todas as suas fraudes!”; e quem pensais”
Que o patife pregador do sermão censurava?
A um luveiro, que vendera couro grosseiro por pelica!

A menor coisa feita incorretamente,
Ou que obstasse aos negócios públicos,
E já todos os velhacos gritavam disfarçadamente:
“Oh, Deus! Se ao menos houvesse honestidade!”
Mercúrio sorria ante a imprudência,
E outros chamavam-na falta de senso,
Sempre a protestar contra o que amavam.
Porém, Júpiter, cheio de indignação,
Finalmente, irritado, jurou livrar
Da fraude a vociferante colméia. E assim o fez.
No mesmo momento, ela se foi
E a honestidade encheu seus corações;
Revelaram-se-lhes, como na árvore do conhecimento,
Os crimes dos quais se envergonharam,
E que então, em silêncio, confessaram,
Enrubescendo ante sua torpeza,
Como crianças que, desejando esconder suas faltas,
Pela cor denunciam os pensamentos,
Imaginando, ao serem olhados,
Que os outros vêem o que fizeram.

Porém, oh deuses! Que consternação!
Quão grande e súbita foi a alteração!
Em meia hora, no país inteiro,
A carne caiu um pêni por libra;
A máscara da hipocrisia despencou,
Do grande estadista ao palhaço;
E alguns, tão conhecidos pela aparência afetada,
Pareceram estranhos com a sua natural.

O tribunal ficou silencioso a partir de então,
Pois agora os devedores, voluntariamente, pagavam
Mesmo o que os credores haviam esquecido,
E estes desobrigavam os que não podiam saldar as dívidas.
Os que estavam sem razão calaram-se
E desistiram dos esfarrapados e vexatórios processos,
Com o que, já que ninguém prospera menos
Do que advogados em uma colméia honesta,
Todos, exceto os que tinham grandes posses,
Partiram, levando consigo seus tinteiros.

A justiça enforcou alguns, outros libertou,
E, após esvaziarem-se as prisões,
Não mais sendo necessária sua presença,
Retirou-se com todo o seu cortejo e pompa.
Na vanguarda marcharam ferreiros, com cadeados e grades,
Grilhões e portas com chapas de ferro;
A seguir, carcereiros, guardas e ajudantes;
Á frente da deusa, a alguma distância,
Seu fiel ministro principal,
Dom Algoz, o grande executor da lei,
Empunhando não a espada imaginária,
Mas seus próprios instrumentos, o machado e a corda;
Então, em uma nuvem, a bela de olhos vendados:
A justiça em pessoa, impelida pelo ar;
Em volta de sua carruagem, e na retaguarda,
Seguiram sargentos, esbirros de todas a espécie,
Beleguins e todos aqueles funcionários
Que das lágrimas arrancam seu sustento.

Embora vivesse a medicina enquanto houvesse doentes,
Ninguém prescrevia senão abelhas habilitadas,
As quais dispersaram-se tanto pela colméia
Que nenhuma precisava de condução;
Deixaram de lado controvérsias inúteis e esforçaram-se
Por livrar os pacientes do sofrimento;
Abandonaram as drogas produzidas em países desonestos
E usaram os produtos da sua própria terra,
Sabendo que os deuses não mandam doenças
A nações sem remédios.

O clero despertou da preguiça;
Não mais delegaram suas incumbências às abelhas auxiliares;
Isentos de vício, serviram pessoalmente
Aos deuses, com oração e sacrifício.
Todos os que eram inaptos, ou sabiam
Serem dispensáveis seus serviços, retiraram-se;
Nem havia trabalho para tantos
(se é que os honestos precisam de algum).
Somente uns poucos permaneceram com o sumo-sacerdote,
A quem os demais juraram obediência;
Ele próprio ocupou-se de assuntos divinos,
Cedendo a outro os negócios de estado.
Não escorraçou de sua porta nenhum faminto,
Nem roubou aos pobres seu salário;
Em sua casa os esfomeados foram alimentados,
Os subordinados tiveram pão sem restrições,
E os viajantes necessitados, cama e comida.

Entre os grandes ministros do rei
E todos os administradores subalternos
A mudança foi grande pois, frugalmente,
Passaram a viver de seu salário.
Que uma abelha pobre viesse dez vezes
Pedir o que lhe era devido, uma quantia irrisória,
E por um escrivão bem pago fosse obrigada
A dar algo por fora ou nunca receber,
Seria agora considerado absoluta desonestidade,
Embora antes fosse prerrogativa.
Todos os lugares, antes administrados por três,
Que vigiavam mutuamente suas velhacarias,
E muitas vezes, por camaradagem,
Promoviam os roubos uns dos outros,
Felizmente passaram a ser geridos por um só;
Com isso, foram-se outros milhares.

Nenhuma honra agora poderia satisfazer-se
Em viver devendo pelo que gastava;
Librés ficaram expostas em lojas de penhores,
Desfizeram-se de carruagens por uma pechincha,
Venderam cavalos magníficos às parelhas,
E casas de campo para saldar dívidas.

Evitou-se o gasto inútil tanto quanto a fraude;
Não mais mantiveram exércitos no exterior;
Riram-se da estima dos estrangeiros
E das glórias vãs conseguidas com guerras;
Lutaram, mas pelo bem da pátria,
Quando o direito e a liberdade estavam em jogo.

Olhai agora a gloriosa colméia e vede
Como se conciliam honestidade e negócios:
O espetáculo terminou; esvaiu-se rapidamente,
E apresentou-se com face bastante diversa,
Pois não só foram-se aqueles
Que somas vultosas gastavam anualmente,
Mas multidões, que neles tinham seu ganha-pão,
Foram diariamente forçadas a fazer o mesmo;
Inutilmente buscara outros ofícios,
Pois estavam todos superlotados.
Caiu o preço da terra e das casas;
Palácios maravilhosos, cujos muros,
Como os de Tebas, foram feitos para o espetáculo.
Puseram-se para alugar, enquanto os outrora garridos,
Bem estabelecidos deuses domésticos ficariam
Mais satisfeitos em morrer no fogo do que ver
A modesta inscrição na porta
Sorrir das soberbas que eles exibiam.
A construção civil foi aniquilada,
Não se empregaram mais artífices,
Nenhum pintor ganhou fama por sua arte,
Canteiros e entalhadores não se tornaram conhecidos.

Os que permaneceram tornaram-se moderados,
Esforçaram-se não para gastar, mas para viver,
E, tendo pago a conta da taverna,
Resolveram lá não mais entrar.
Nenhuma ex-noiva de taverneiro em toda a colméia
Pôde, então, usar tecidos de ouro e prosperar,
Nem perdulários adiantar tão grandes quantias
Para borgonhas e verdascos.
Foi-se o cortesão que com sua querida,
Diariamente ali jantava um banquete de natal,
Gastando, em duas horas de estada,
O que sustentaria o dia todo uma tropa de cavalaria.

O arrogante Cloé, que para viver à grande,
Fizera seu marido roubar ao Estado,
Agora, contudo, vendeu sua mobília,
Que fora saqueada nas Índias,
Reduziu o dispendioso cardápio,
E usou um ano inteiro os mesmo trajes duráveis:
A era da futilidade e do capricho passou,
E as roupas, bem como as modas, permaneceram.
Tecelões que produziam ricos brocados
E todos os ofícios subordinados
Extinguiram-se. Ainda reinava a paz e a abundância,
E tudo era barato, porém simples.
A bondosa Natureza, livre do jugo dos jardineiros,
Concedia todos os frutos no seu próprio tempo;
Contudo, raridades não se podia mais obter
Quando os esforços para consegui-las não eram pagos.

À medida que minguaram orgulho e luxo,
Gradativamente deixaram os mares,
Agora não os mercadores, mas companhias.
Fecharam fábricas inteiras.
Todas as artes e ofícios foram abandonados.
O contentamento, ruína da indústria,
Fê-lo apreciar seu estoque caseiro
E não buscar nem cobiçar mais.

Assim, poucos permaneceram na vasta colméia;
Não puderam manter nem a centésima parte
Contra as afrontas dos numerosos inimigos,
A quem, valentemente, enfrentavam,
Até encontrar algum refúgio bastante fortificado,
Onde morriam ou defendiam seu território.
Não houve mercenários em seu exército;
Bravamente, lutaram eles próprios.
Sua coragem e integridade
Foram finalmente coroadas com a vitória.
Triunfaram, porém não sem custo,
Pois milhares de abelhas pereceram.
Calejadas dos árduos trabalhos e exercícios,
Consideraram vicio a própria comodidade,
O que aperfeiçoou de tal modo sua moderação.
Que, para evitar extravagâncias,
Voaram para uma árvore oca,
Abençoadas com satisfação e honestidade.

Moral

Portanto, não reclamai somente os tolos esforçam-se
Por criar uma colméia grandiosa e honesta.
Desfrutar os confortos da vida,
Ser famoso na guerra e, ainda, viver comodamente,
Sem grandes vícios, é uma vã
Utopia radicada no cérebro.
A fraude, o luxo e o orgulho devem existir,
Enquanto recebemos seus benefícios.
A fome é uma praga atroz, sem dúvida,
Mas quem, sem ela, alimenta-se ou prospera?
Não devemos nós a produção do vinho
À mirrada, pobre e encurvada parreira
Que, enquanto seus brotos eram negligenciados,
Sufocava as outras plantas e tornava-se mato,
Mas nos abençoou com seus nobres frutos
Tão logo foi amarrada e podada?
Assim é o vício tornado benéfico
Quando pela Justiça desbastado e restrito.
E mais ainda: onde o povo quiser ser grande,
Tão necessário ao Estado
Quanto a fome para comer.
A virtude, sozinha, não pode fazer nações viverem
Em esplendor; as que desejam revivescer
A Idade do Ouro devem ser tão livres
De glandes quanto de honestidade.

Domingo, Maio 21, 2006

O messianismo do consumo

Adorei esta expressão: O messianismo do consumo.

A encontrei num livro de Roberto Gambini e Lucy Dias chamado "Os outros 500". O livro foi escrito na época das "comemorações" dos 500 anos de Brasil. O objetivo do mesmo era colocar este Brasil cheio de problemas no divã de um psicanalista.

Pois bem, num determinado momento o livro levanta o tema das grandes periferias urbanas com milhões de pessoas vivendo sem coesão, sem identidade. Isso ocorre porque estas populações imigrantes e desenraizadas se tornaram amorfas, com famílias desestruturadas, sem continuidade, sem vínculos com nada. Acabaram assim ficando sem identidade, não sabem quem são e acabam por projetar algum tipo de messianismo como a solução de suas vidas.

Este messianismo, Gambini chama de "messianismo do consumo" onde as massas tendem a sonhar com os sonhos da classe média ou da classe alta retratada nas telenovelas e nos filmes. O "caipira" do interior ou do sertão tinha sua raiz, amava sua terra e seu habitat. O imigrante de uma comunidade pobre das favelas e dos subúrbios quer eletrodomésticos, carros e roupas de marca. Acabam aceitando como seu o sonho de uma elite materialista, burra e espiritualmente fraca. Seu horizonte de sentido de vida se reduz a um crediário nas Casas Bahia ou a uma luta impossível pela acumulação de uma riqueza inexistente.

É impressionante, esta linha de pensamento indica que não sabemos quem somos e nem o que queremos neste país. Enfim, somos quase como um barco sem vela, boiando sem rumo.

Segunda-feira, Maio 15, 2006

De férias graças à violência

Quem disse que não há algo "positivo" nesta zona que está ocorrendo em São Paulo?

Estou de férias forçadas, sem poder ir ao trabalho e às aulas.
Hoje, no meio de uma aula em plena Fundação Getúlio Vargas aqui em São Paulo, recebemos uma visita inesperada: "-- Por favor, deixem a faculdade, tranquilamente. O Mackenzie (ou a FAAP, há muitos rumores) foi alvejado e preferimos interromper nossas atividades por hoje e amanhã."

É incrível como um grupo organizado de traficantes e bandidos mal educados conseguem acabar com a ordem na maior cidade do país, fazendo com que todos tenham que deixar seus escritórios, suas universidades, suas reuniões, etc por culpa, na verdade, da desorganização de um Estado (no sentido amplo da palavra) lerdo e burro. É uma pena que os traficantes só tenham atacado a polícia (coitada), tinham que ter se exaltado contra o Congresso Nacional, contra a Assembléia Legislativa, contra o governador, contra os prefeitos e contra toda esta corja de políticos filhos da puta que dirigem este país infeliz.

Os reféns nos presídios são carcereiros e familiares de presos, enfim, gente simples da própria massa que já está sob a pressão diária da dura vida que se leva no Brasil. É uma pena que os reféns não sejam os deputados, os juízes lalaus, os funcionários públicos corruptos e os coronéis nordestinos que mantêm tudo quase do mesmo jeito neste país, desde a ditadura.

Como disse há pouco na tevê uma estudiosa em violência da USP: Os governos prometem reformas (legal, carcerária, da Febem, etc) há mais de 7 anos. Há mais de 7 anos todos prometem tudo e ninguém faz nada.

Domingo, Maio 14, 2006

O Brasil em Guerra

O Estado de São Paulo abriga praticamente um terço de tudo que se faz no Brasil (se não mais). O Rio de Janeiro já foi tão importante quanto e hoje se encontra em evacuação (empresas e jovens profissionais estão deixando o Estado). Enfim, com os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro em guerra aberta e a violência onipresente em praticamente todas as grandes capitais podemos dizer que o Brasil se encontra em estado de guerra.

Em Fortaleza há praticamente um mini-arrastão por dia na praia, em Recife há jovens pedindo dinheiro e assaltando em quase todos os semáforos (estou em Recife agora mesmo) e o mesmo acontece em outras cidades.

Em Salvador a família ACM lançou há anos uma lei que não está escrita em nenhum lugar, mas que infelizmente funciona. "Se alguém assaltar um turista, a polícia deve matar e sumir com o corpo", já me disseram isso por todo o Estado baiano. Enfim, algo assim deve ocorrer mesmo.

No fim se trata de uma guerra mesmo. Uma guerra de um Brasil contra o outro. Uma guerra de um Brasil branco classe média e média alta dominante contra uma classe pobre, majoritariamente negra e índia, sem opção e sem oportunidades. Poderíamos até tentar simplificar identificando aqui um conflito de classes tipicamente marxista. Mas não é tão simples. Há mais ingredientes que alimentam esta zona: há deputados julgados inocentes por ter "apenas" recebido caixa 2, há carcereiros que vendem celular em presídios por 300 "real", há policiais mal pagos e mal treinados, há um governador "boiando" porque recebeu o maior Estado da Federação "nas coxas".

Qual será o final desta guerra?

Sábado, Abril 29, 2006

Jantar com Petista

Esta semana tive a oportunidade de sentar e jantar com um bom amigo que ainda se declara petista, coisa rara nestes dias. É bom lembrar que ele vive e trabalha em Brasília, num órgão público federal importante, desde o governo PSDB. Segundo ele as contratações feitas pelo PT visaram reaparelhar a máquina pública que foi completamente sucateada pelo PSDB.

Uma coisa é verdade, a parte liberal do PSDB estava terceirizando atividades do governo acreditando que isto melhoraria a eficiência da gestão pública. Por outro lado deixou de fazer contratações por muito anos, deixando órgãos como a Polícia Federal por exemplo completamente vazios. Ora, qualquer organização, seja ela pública ou privada não funciona sem funcionários novos para substituir os que se vão ou se aposentam. E as mentes novas, que hoje obrigatoriamente passam por um duro processo de admissão (concurso público) trazem nova energia e inteligência à instituição.

Outro ponto interessante, neste caso uma crítica, levantado por ele se refere ao fato de o governo do PT não ter aproveitado o "momentum" pós-eleitoral para fazer reformas estruturais que o marcassem como o governo da mudança. Com o enorme apoio público que possuía na época o PT não precisava atender aos interesses de PMDBs e PLs da vida. Podia ter montado um ministério tecnicamente competente pra ficar de bem com a população que o elegeu e não com os partidos oportunistas que se unem aos mais fortes sempre que lhes convém.

É possível que a convicção de José Dirceu de que não seria possível mudar o país em apenas 4 anos o tenha feito desenhar este plano de poder idiota que acabou com sua carreira política e expôs o lado fraco do PT corrupto.

Quinta-feira, Abril 13, 2006

Festa no Jardim Botânico, Tóquio e Brasília

Este semana o Ministro das Telecomunicações e ex-apresentador de TV Hélio Costa foi ao Japão para finalizar as negociações com os japoneses sobre a oferta que fariam para o Brasil adotar o padrão japonês de televisão digital, o ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial).

O Estado de S. Paulo (Hoje, 13 de Abril): Em clima de vitória, o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, posou para fotos segurando as mãos dos três ministros brasileiros: Hélio Costa, Amorim e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).

Segundo os jornais de hoje, só falta agora a assinatura do Lula para definir o padrão japonês como o padrão da TV digital brasileira. Com isto, ganham as atuais redes de TV brasileiras (em especial a Rede Globo) pois este padrão privilegia as empresas que já possuem capacidade de geração de conteúdo. Sobre este assunto o respeitado comentarista de tecnologia Ethevaldo Siqueira noticiou em Fevereiro de 2006:

O debate realizado na Câmara Federal, na quarta-feira, funcionou como verdadeira audiência pública, democrática e transparente, na opinião da maioria dos participantes. Foram mais de 50 apresentações, de representantes das tecnologias internacionais, das associações de radiodifusores, das emissoras de TV, da indústria, da universidade, dos consórcios nacionais de pesquisa e até de entidades civis interessadas no tema.

Como uma orquestra em uníssono, a maioria esmagadora das emissoras de TV - lideradas pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e pela Rede Globo - defendeu o padrão japonês (ISDB).


De acordo com a Folha, "o Brasil é um País com uma indústria de entretenimento televisivo de ponta, [e] o governo avalia que é uma decisão estratégica defender os interesses das companhias nacionais", principalmente em ano eleitoral.

Não penso que o sistema foi adotado somente por ser defendido pela Globo, mesmo porque o padrão japonês é sim o mais moderno entre os padrões analisados (foram analisados também os padrões norte-americano e europeu) e o japoneses aceitaram transferir sua tecnologia ao país, possibilitando em breve a criação de um padrão nipo-brasileiro se aproveitarmos a oportunidade. Por outro lado o banco japonês de cooperação internacional JBIC - Japan Bank for International Cooperation - poderá apoiar a construção de uma fábrica de chips no Brasil.

Embora o Brasil tivesse "pedido" uma fábrica de semi-condutores (tecnologia de altíssima tecnologia) o Japão se comprometeu a estudar algo mais simples: uma fábrica de chips. Ainda assim, se isto se concretizar, seríamos enormemente beneficiados pelos japoneses pois atualmente este mercado movimenta 300 bilhões de dólares pelo mundo com poucas fábricas em países como EUA, Alemanha, Israel e Inglaterra.

Além de tudo, dentro de toda esta negociação multilateral, o governo ainda conseguiu algo incrível, que as organizações Globo deixassem de bater no governo do PT em pleno ano eleitoral (comentado no post anterior). Alckmin que se cuide.

Domingo, Abril 09, 2006

"O Globo" no pé do Alckmin

Com grande dose de desconfiança e até certo denuncismo o jornal O Globo de hoje domingo dia 9 de Abril pega forte no pé do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) ao publicar com grande destaque que o governo do Estado de São Paulo contrata a empresa do filho de Alckmin em sociedade com a filha do acupunturista Dr. Jou, amigo íntimo do ex-governador (ver foto abaixo, ambos juntos em lançamento de programa